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Dica do vestibulando

Com força de vontade, piauiense deixa a roça para cursar engenharia

Edson de Carvalho, 17/Arquivo pessoal

Na primeira vez que o Blog do Fovest telefonou para Morro Redondo, localidade a 400 km de Teresina, foi Das Dores que atendeu.

Das Dores é uma das duas atendedoras do único orelhão da região, cargo mantido pela Prefeitura de Oeiras (a 35 km de Morro Redondo), para dar recados e chamar as pessoas para atender aos telefonemas.

Quando a reportagem perguntou por Edso, ela se prontificou a ir chamá-lo. Prometeu que, em 20 minutos, Edso de Carvalho, 17, "o menino que passou na faculdade", estaria ali.

Dito e feito. Surpreso com uma ligação de São Paulo, Edso não tardou em colocar a timidez de lado e enunciar seus feitos: aprovado em engenharia elétrica na Uespi (estadual do Piauí), em sistemas da informação na UFPI (federal do Piauí) e com pontuação no Enem suficiente para ter uma bolsa integral no ProUni.

Poder escolher entre duas universidades públicas é um privilégio e tanto. Mais ainda para alguém que nunca entrou numa sala de cinema, nunca assistiu a uma peça de teatro e, para acessar a internet, precisa ir até Oeiras.

"Agora que eu vou estudar em Teresina, vou poder ir ao cinema", comemora Edso, que escolheu o curso de engenharia elétrica e se prepara para fazer a matrícula amanhã.

As viagens até Oeiras, no entanto, não são novidade para Edso. O jovem estudou o ensino fundamental na escola de Morro Redondo, mas, como não tinha ensino médio na localidade, resolveu terminar seus estudos "na cidade". Fez o primeiro e o segundo ano à noite. Ajudava na roça da família de manhã, estudava à tarde e, às 17h30, pegava um ônibus, rumo a Oeiras, que só retornaria àquele ponto às 23h45. No terceiro ano, estudou em turno integral numa escola estadual oeirense e precisou se mudar para lá.

Quando for morar em Teresina, planeja visitar os pais nas férias, porque os R$ 40 de ida e R$ 40 de volta do preço da passagem de ônibus representam muito no orçamento da família de cinco pessoas, que gira pelos R$ 650.

De tudo o que vai sentir falta, Edso enumera, nesta ordem: a família, os colegas, a bateria usada que está aprendendo a tocar, manga, seriguela e melancia. Em Morro Redondo, diz o estudante, tem tanta fartura dessas frutas que ele pode tirar do pé e comer em qualquer lugar. Em Teresina não vai poder ser assim.

Diante dos desafios que lhe aguardam, Edso não esconde a ansiedade. Ele tem ocupado seu tempo livre com revisões dos conteúdos de matemática, "para não fazer feio quando as aulas começarem". E quando as aulas começam? "Só em agosto", responde a contragosto o aluno, que passou para o segundo semestre. "Rapaaaaz, queria mesmo era que tivesse começado em janeiro!"

Escrito por Equipe Fovest às 20h09

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50 minutos para cada matéria

 
 

50 minutos para cada matéria

Pedro no cursinho Intergraus (Patrícia Stavis/Folha Imagem)

A dica do vestibulando desta vez é do Pedro Leal de Abreu, 18. Ele tem um objetivo em mente, o de ser administrador. E tem de ser com uma função específica: no setor de aviação. Bastante determinado, Pedro, adotou uma rotina de estudos bem rígida para alcançar o seu objetivo principal do momento, que é ingressar na FGV ou no Insper (antigo Ibmec-SP).

Pela manhã, o vestibulando estuda no curso pré-vestibular Intergraus, na zona oeste de São Paulo. À tarde, já em sua casa, ele se concentra, por 50 minutos, religiosamente cronometrados, em cada disciplinada revisada no cursinho. "É a maneira que encontrei para fixar melhor as matérias", afirma.

Lado a lado com a preparação das provas, Pedro se cerca de toda informação possível sobre a especialidade que deseja seguir na administração, cuja vontade surgiu de tanto acompanhar o cotidiano do pai, que trabalha em uma empresa de táxi aéreo. "Como quero administrar uma empresa de aviação, leio bastante sobre o assunto. Também faço aula para tirar carteira de piloto." (MÔNICA RIBEIRO E RIBEIRO)

Escrito por Equipe Fovest às 16h30

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Nota 9,5 dá dicas de como ir bem na redação do Enem

  Renato Rocha, 18, que tirou 9,5 na redação do Enem

Renato Rocha, 18, nascido em Cândido Mota (431 km de SP) não precisou fazer cursinho nem teve que estudar em escola particular para se dar bem na redação do Enem.

Renato, que acabou de passar para o segundo semestre de letras na Unesp, tirou 9,5 na redação da última edição do Enem. Para isso, treinou como podia.

Ele cursava o terceiro ano do ensino médio em uma escola estadual e, sem poder arcar com um curso pré-vestibular, aproveitou o que tinha à sua disposição. Propunha debates nas aulas, levava matérias de revistas, fazia redações e, sobretudo, lia. De tudo.

"Adoro ler jornal. Lia revistas e livros também", diz ele.

Apesar de hoje ter se tornado um hábito, o gosto pelos livros só foi despertado no ano passado mesmo, quando passou a ler por prazer e não apenas por obrigação.

"É importante ler de maneira prazerosa para dominar a norma culta da língua portuguesa, relacionar os fatos com as coisa que acontecem no cenário mundial e defender o ponto de vista na situação proposta, de modo a ser o mais confiante possível", aconselha.

Além da leitura, afirma Renato, há outros pontos importantes para um bom desempenho na prova.

"A redação do Enem exigiu senso crítico e conhecimento sobre o assunto. Por isso é importante ter uma boa base e se interessar pelo que acontece no cenário nacional", aponta.

A receita de Renato para uma boa redação ainda leva debates com amigos, prática de exercícios de redação e conhecimento da estrutura de texto pedida. Mas adverte: "Não há fórmula perfeita".

Hoje que a leitura passou a fazer parte da sua vida, Renato cogita direcionar seus estudos para dar aulas ou para jornalismo, "ainda mais agora que não precisa de diploma". "Sou metido a entender de tudo", brinca.

Leia mais sobre a redação do Enem no Fovest de amanhã.

 

 

Escrito por Equipe Fovest às 22h06

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Para se adaptar a novo Enem, vestibulando treina velocidade

 
 

Para se adaptar a novo Enem, vestibulando treina velocidade

Rafael Hupsel/Folha Imagem

Lucas Zitti, 18, que presta vestibular neste ano para engenharia civil ou química (ainda não se decidiu), teve de alterar seu planejamento e sua forma de estudo devido às mudanças "em cima da hora" do Enem.

"O número de questões aumentou muito [de 63 para 180], então comecei a me forçar a resolvê-las mais rápido para dar tempo de fazer a prova toda."

Além de treinar "velocidade", o estudante do Etapa começou a se dedicar mais aos conteúdos priorizados no novo exame e que não eram tão cobrados no antigo modelo da prova. Ele concorrerá a vagas de universidades como Ufscar, UniABC e Unifesp, que aderiram ao novo Enem, de forma parcial ou total, já em 2009.

O jovem tem críticas em relação ao novo Enem. Na opinião dele, as mudanças não deveriam ter sido implementadas no mesmo ano em que foram anunciadas.

Ele ainda considera um erro do governo o investimento de tempo e de dinheiro em mudanças no ensino superior enquanto os ensinos fundamental e médio continuam com falhas graves.

"Como o governo não investe como deveria na educação básica, o aluno da escola pública vai ter dificuldades no vestibular, seja na prova do Enem ou em qualquer outra", opina.

Mas Lucas também enxerga pontos positivos no novo exame. Um deles é a possibilidade de o aluno concorrer a vagas de universidades federais fora de São Paulo sem precisar viajar para prestar vestibular. O outro é a economia com as inscrições, já que o aluno paga só a inscrição para o Enem e concorre a várias instituições.

Escrito por Equipe Fovest às 16h17

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Candidata prefere estudar em casa a fazer cursinho

Eduardo Anizelli/Folha ImagemA estudante Renata Haddad, 17, malha uma hora por dia, sai e até viaja com os amigos no fim de semana. A rotina da jovem não causaria surpresa se não fosse o ano de vestibular dela.

Renata está no último ano do ensino médio e se prepara para prestar medicina veterinária em uma universidade pública.


Em vez de fazer cursinho, ela decidiu estudar em casa à tarde, depois da escola. "Sempre fui aplicada e sempre acompanhei o noticiário, por isso tenho condições de me virar bem em casa."

Disciplinada, ela costuma estudar durante a semana das 16h às 21h, duas ou três matérias por dia, com base em um cronograma montado por ela mesma. Pegou apostilas de exercícios da prima e, antes de fazer as questões, se for necessário, recorre à teoria. Se não entender algum exercício, pede ajuda aos professores da escola, aos amigos e a fóruns que considera confiáveis na internet _como o Brasil Escola (www.brasilescola.com).

"Um dia estudei menos para ir a uma palestra na escola sobre a crise econômica mundial, pois acho o tema relevante para as provas. Outro fui a um seminário sobre as obras da Fuvest."

Ela ainda se prepara fazendo simulados gratuitos de cursinhos e editoras.

Escrito por Equipe Fovest às 13h00

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Orientação vocacional ajuda mesmo quem pensa ter certeza sobre o curso, diz aluno

Rafael Moraes de Camargo, 19. Foto: Filipe Redondo/Folha ImagemO estudante Rafael Fernando Moraes de Camargo, 19, afirma que ficou em dúvida sobre qual curso seguir quando prestou vestibular pela primeira vez, em 2007.

"Pensei em medicina, porque vou muito bem na área de biológicas. Mas não me dei bem na prova da Fuvest nem da Unifesp, porque não havia feito cursinho", diz ele.

O estudante reconsiderou a escolha após fazer orientação vocacional com uma psicóloga. "Aconselho a fazer, mesmo a pessoa tendo a certeza do que quer. Me ajudou a perceber que eu seria melhor atuando na área de administração, que eu gosto de matérias de humanas e que vou ser mais feliz com isso."

Devagarinho, o aluno começou a frequentar o Mackenzie. Assistiu palestras, conversou com colegas e professores e percebeu que a universidade fazia o seu estilo. Hoje ele faz um cursinho especializado nessa escola, o Hexag.

"Escolas como a USP, a Unicamp e a PUC-SP são abertas. Você pode pedir autorização ao professor para assistir uma aula, se quiser saber como é o curso. Se tem amigos na universidade, é mais fácil", ressalta. Ele assistiu aulas de direito na USP, mas afirma que o curso do Largo São Francisco lhe pareceu muito conservador. "Não encaixa com o meu perfil", reflete.

Direito
Rafael afirma que escolheu direito porque pode aliar o trabalho na área administrativa com o estudo em humanas, onde há disciplinas de que gosta muito. "Foi uma reviravolta, mas hoje estou confiante. Acho que a soma dos fatores [ter conhecido de perto o Mackenzie, feito orientação etc] me ajudou a escolher."

Escrito por Equipe Fovest às 15h12

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Escrever muito e desenhar

 
 

Escrever muito e desenhar

O estudante Bruno Ferreira Martins, 18, sugere aos vestibulandos fazer todo dia, na hora do estudo, fichas de resumo com o conteúdo das aulas. "Eu percebo que, quando escrevo, fixo melhor a matéria. Muita gente é assim: se não escrever, perde as coisas mais facilmente."

Candidato a uma vaga em economia na Unicamp, o aluno também anota tudo que o professor fala em sala de aula. "Mesmo que seja repetição do que já foi dito no livro, ajuda a entender melhor o conteúdo", diz.

Bruno também desenha células, mapas e átomos na hora de estudar. "Fazer desenhos me ajuda a visualizar a matéria. Nos mapas, faço as fronteiras, escrevo dados dos países e faço marcas de relevo. No caso dos átomos, faço prótons, elétrons e desenho a relação entre eles", ressalta.

Escrito por Equipe Fovest às 22h10

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ESTUDAR EXATAS

Pedro Tronchin, 18, está prestando vestibular para jornalismo pela terceira vez. Ele, que quer uma vaga na USP, afirma que vai mudar sua rotina de estudos por conta das mudanças na Fuvest. "Em geral me dedico mais à área de humanas quando estudo, gosto de história e geografia, e sempre priorizo responder testes. Agora vou me dedicar mais às questões abertas, para treinar a escrita", afirma ele. O aluno afirma que prefere estudar sozinho, em casa, por achar mais fácil de se concentrar. "Estou preocupado com física e química, porque são as áreas em que vou pior. Esse vai ser o ano de estudar exatas até ficar craque", diz ele, rindo.

Escrito por Equipe Fovest às 19h35

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PERFIL

Andressa Taffarel Andressa Taffarel, 26, é repórter do caderno Fovest e redatora do Cotidiano.

Patrícia Gomes Marina Mesquita, 25, é repórter e redatora do Fovest e de Saber.

Patrícia Gomes Patrícia Gomes, 23, é repórter do Fovest e redatora de Regionais.

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